Itabaiana/SE

Três dias, três vidas, três feminicidas, três famílias em lágrimas: o retrato cruel da violência contra a mulher em Sergipe

Nos últimos três dias, Sergipe virou cenário de uma sequência brutal de violência contra a mulher. Três vidas foram interrompidas e neste momento, as famílias de Eliene, Flávia e Ângela estão mergulhadas na dor e se perguntando: por quê?

Mãe de seis filhos, Eliene foi assassinada na frente deles, de forma cruel, pelo ex-companheiro. As crianças levarão na mente a lembrança dos últimos momentos da mãe, caída ao chão, em meio ao sangue, sem poder se despedir. O feminicida foi localizado no dia seguinte, pela polícia sergipana, e morreu em confronto.

Flávia, uma jovem cheia de vida e sonhos foi assassinada a tiros pelo namorado, num hotel. Ela saiu de Paulo Afonso, para aproveitar um fim de semana em Aracaju e teve a vida, os sonhos, interrompidos pelo homem que uma semana antes, jurou amor e a pediu em namoro. Após o feminicídio, ele tentou contra a própria vida e está internado.

Ângela foi esfaqueada até a morte, em via pública, pelo companheiro, durante uma discussão do casal. Ele tentou fugir, mas foi preso pouco tempo depois, em flagrante, e confessou aos policiais que matou a esposa.

Três mulheres, três histórias e trajetórias diferentes, mas com algo em comum: as três foram assassinadas justamente por serem mulheres. As vítimas tinham nomes, rotinas, planos e infelizmente a morte das três se soma a uma realidade, cruel, que insiste em se repetir. O que fica é o vazio, o luto e o questionamento: até quando? Não podemos normalizar essa situação.

A repetição dos crimes em um intervalo tão curto expõe o retrato cruel da violência contra a mulher, que está mais perto do que a gente imagina, e não, não acontece apenas fora, apenas longe, acontece mais perto do que a gente pensa.

A violência contra a mulher não começa no ato extremo (feminicídio) — ela é construída no silêncio, na negligência, na naturalização de comportamentos abusivos que, muitas vezes, passam despercebidos ou são ignorados, pela sociedade como um todo e mais de perto, por quem está ao redor da mulher, que na maioria das vezes, não tem uma rede de apoio e acaba ficando sem saída.

E isso nos faz lembrar de algo noticiado nesta manhã: uma jovem sendo agredida, em via pública, em Itabaiana, onde muitos “passam pano” para o que o homem faz com ela, como se fosse normal, gritar, puxar o cabelo, empurrar. E já sabemos para onde isso pode se encaminhar né?

Além de noticiar, precisamos refletir, porque cada feminicídio representa uma falha coletiva: da educação machista recebida em casa e confirmada em muitas famílias, da sociedade, das redes de proteção e do sistema, como um todo. Tem muita falha por trás de tudo!

Três dias, três vidas, três histórias interrompidas. Em Sergipe, o luto se repete — e a urgência por mudança também.

Por Taís Cristina

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