Por Jhônatas Lima – Advogado
O ano de 2026 chegou e, com ele, as eleições que vão definir o futuro do Brasil e de Sergipe. Em outubro, mais de 150 milhões de brasileiros vão às urnas. Aqui no nosso estado, seremos mais de 1,7 milhão de eleitores escolhendo quem vai nos representar nos próximos anos.
E tem mais: 2026 marca os 30 anos da urna eletrônica no Brasil. Aquele equipamento que a gente já conhece bem vai completar três décadas de serviço prestado à democracia brasileira.
Mas, afinal, quais são as datas importantes? O que o cidadão comum precisa saber? É isso que vamos explicar aqui, de forma simples e direta.
QUANDO SERÃO AS ELEIÇÕES?
O primeiro turno está marcado para o dia 4 de outubro de 2026, um domingo. A votação acontece das 8 horas da manhã até às 5 horas da tarde, no horário de Brasília.
Se nenhum candidato a presidente ou a governador conseguir mais da metade dos votos válidos no primeiro turno, haverá segundo turno no dia 25 de outubro.
QUEM VAMOS ESCOLHER?
Na hora de votar, o eleitor sergipano vai fazer seis escolhas na urna. Parece muito, mas é simples. A própria urna vai pedindo, na seguinte ordem: primeiro, deputado federal; depois, deputado estadual; em seguida, dois senadores; depois, governador; e, por último, presidente da República.
Em Sergipe, vamos eleger 8 deputados federais, 24 deputados estaduais e 2 senadores. Isso mesmo, duas vagas para o Senado, porque nesta eleição acontece a renovação de dois terços daquela Casa.
ATENÇÃO: PRAZO PARA REGULARIZAR O TÍTULO
Essa é a informação mais importante para quem quer votar: o prazo para tirar, transferir ou regularizar o título de eleitor vai até o dia 6 de maio de 2026. Depois dessa data, não tem mais jeito.
Quem ainda não fez a biometria também precisa correr. A coleta das digitais é obrigatória e pode ser feita em qualquer cartório eleitoral ou pelo site da Justiça Eleitoral. Hoje, mais de 86% dos eleitores brasileiros já têm a biometria cadastrada.
Se você mudou de cidade ou de bairro e quer votar perto de casa, também precisa fazer a transferência até 6 de maio. Não deixe para a última hora!
OUTRAS DATAS IMPORTANTES
Para quem gosta de acompanhar a política, vale anotar: as convenções partidárias, aqueles eventos onde os partidos escolhem seus candidatos, acontecem entre 20 de julho e 5 de agosto. É ali que a coisa começa a esquentar de verdade.
A propaganda eleitoral nas ruas e na internet começa no dia 16 de agosto. Já o horário eleitoral gratuito no rádio e na televisão tem início em 28 de agosto e vai até a véspera da eleição.
NOVIDADE: MUDANÇA NA DATA DE POSSE
Uma mudança que pouca gente sabe: a partir de 2027, presidente e governadores não tomam mais posse no dia 1º de janeiro. O presidente assume no dia 5 de janeiro e os governadores no dia 6. Já deputados e senadores tomam posse em 1º de fevereiro.
30 ANOS DE URNA ELETRÔNICA
Em 2026, a urna eletrônica completa 30 anos de uso no Brasil. A primeira vez que os brasileiros votaram nesse equipamento foi em 1996, nas eleições municipais. Naquela época, só cerca de 30% do eleitorado usou a urna eletrônica, principalmente nas capitais.
A expansão foi rápida. Em 2000, todo o Brasil já votava eletronicamente. Desde então, foram desenvolvidas 14 versões diferentes do equipamento, sempre com melhorias na segurança, na acessibilidade e na rapidez.
Hoje, a urna brasileira é referência no mundo. Mais de 500 visitantes de 50 países diferentes já vieram conhecer nosso sistema eleitoral. A urna tem criptografia avançada, lacres de segurança e só funciona no próprio equipamento, o que impede fraudes.
Para quem tem deficiência, a urna oferece teclado em braile, fone de ouvido com voz e até intérprete de Libras na tela. Ninguém fica de fora.
COLIGAÇÕES E FEDERAÇÕES: QUAL A DIFERENÇA?
Você já deve ter ouvido falar em coligação e federação de partidos, mas sabe a diferença? É simples.
A coligação é uma união temporária, só para aquela eleição. Os partidos se juntam para lançar candidato a presidente, governador ou senador e, depois do resultado, cada um segue seu caminho. Importante: desde 2017, não pode mais fazer coligação para eleger deputado.
Já a federação partidária é coisa mais séria. Os partidos que se unem em federação têm que ficar juntos por pelo menos 4 anos, funcionando como se fossem um só partido em todo o Brasil. Se algum partido quiser sair antes do prazo, fica impedido de participar de coligação ou federação nas duas eleições seguintes. É um compromisso de longo prazo.
O QUE É DESINCOMPATIBILIZAÇÃO?
Essa palavra difícil tem um significado simples: é a obrigação que algumas pessoas têm de deixar seus cargos públicos para poderem ser candidatas.
Por que isso existe? Para evitar que alguém use a máquina pública a seu favor na campanha. Imagina se um prefeito pudesse usar os carros da prefeitura, os funcionários e o dinheiro público para fazer campanha? Não seria justo com os outros candidatos.
Os prazos variam. Prefeitos, governadores, secretários e juízes que queiram concorrer a outros cargos precisam sair 6 meses antes da eleição, ou seja, até o início de abril. Policiais e membros do Ministério Público têm prazo de 4 meses. Servidores públicos em geral, 3 meses.
Quem não cumpre o prazo fica inelegível, ou seja, não pode ser candidato. É a lei.
PARTICIPE DA DEMOCRACIA
O voto é a ferramenta mais poderosa que o cidadão tem. É através dele que escolhemos quem vai cuidar da saúde, da educação, da segurança e de tudo mais que afeta nossa vida.
Por isso, não deixe de participar. Regularize seu título até 6 de maio, acompanhe as propostas dos candidatos e, no dia 4 de outubro, vá até a urna exercer sua cidadania. A democracia depende de cada um de nós.
Foto: Agência Brasil